Republicação seleta (e levemente aperfeiçoada) dos textos de eutenhoumblog.blogger.com.br, blog que mantive dos 16 aos 19 anos, de 2003 a 2006. A ideia é que a repostagem seja na mesma data anterior (dia e mês, apenas dez anos depois). Nos comentários, eu falo do que me lembro da época em que escrevi, e avanço. Pra que o meu eu de então fique contente.

domingo, 13 de abril de 2014

Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa

Amor. Ódio. Vingança. Amizade. Deus. Diabo. Em mais meia dúzia de palavras e reduzo o livro; ou será que o engrandeço até perder de vista? Se fossem poços, quem é que enxergava o fundo de cada uma dessas palavras? São paradigmas do estado humano. São partes de toda história. Sertão. O Sertão é o mundo. 

Só se aprende é a fazer maiores perguntas. O livro, vai, é pergunta grande inteira; diálogo extenso entre o Riobaldo e um doutor. Riobaldo, os assuntos que levaram sua vida; o narrador conta sua história e reafirma com a história de outros; a história de todos vale porque todos não são só um. E ele tinha que encontrar aqueles todos? Tinha que encontrar?
  
Há esse vislumbre de necessidade das coisas. As pessoas se amolam umas as outras, até a perfeição. Existe o Diabo? Existe não. Existe só o homem, e seus conflitos. Suas mudanças. Existe a guerra, existe a honra. A história é ele, de garoto qualquer, até jagunço, até líder de todo um grupo, por vingança, para pegar o Hermógenes, para vingar Joca Ramiro. E isso se sabe tudo no começo, primeiras páginas; o conto não é linear. 

É como se ele cerzisse os fatos: começa com um, entra em outro, reafirma-se com mais um, e une tudo em um só ponto. Dalí ele parte. Dar razão a sua própria vida, recontando? Acho que nem ele sabe. Não é assim a vida, coisa sobre coisa e por cima do monte se vê tudo? O senhor que o diga. O senhor que julgue. 

O Sertão não é dito. O Sertão é descrito em sua misticidade, na cabeça ele se forma: sol, terra e veredas. Ou você o molda ou ele te molda. Viver é muito perigoso. O Sertão é o homem humano. 

melhor livro do ano: por conta disso a resenha caótica e que não diz nada. mas eu volto ao assunto.

Um comentário:

Duanne Ribeiro disse...

Nunca voltei ao assunto.